
Histórias da Vida - Que cena
A Mariana disse-me para escrever tudo o que tenho cá dentro. Diz-me que sou bom falante, eloquente e me expresso bem. A Mariana conhece-me, conhece o Sam de há dois anos, o Sam que já passou por uma transição social, o Sam que está cansado de lutar contra uma sociedade que se esqueceu o que é ser-se humano, o Sam que é O Sam, e não a Rute.
Mas a Mariana conhece mais do que isso, pode não ter acompanhado as primeiras lutas, mas ela quer saber sobre elas; não esteve durante o cancro do meu pai, mas pergunta-me como ele é, enquanto pai; não esteve comigo no secundário, enquanto eu ainda tentava perceber porque era tão diferente das pessoas que me rodeavam, porque penso de maneira diferente de todas elas, mas ela ouve. Ela ouve tudo aquilo em que penso, aliás ela quer saber o que penso. Tem medo por mim, em todas as interações em que eu sou a pessoa que bate o pé aos que tentam roubar a liberdade de expressão. A Mariana diz-me para me expressar.
Decidi voltar a fazê-lo, porque a Mariana acredita em mim, e me fez voltar a acreditar.
Falo para o Sam de 8 anos que se questionou vezes sem conta "quem sou eu?", para o Sam de 12 anos que foi assedado pela primeira vez, se viu em panico e se dfendeu, para o Sam que sempre teve medo de se mostrar, o que sempre duvidou de si. Chega.
Olá, eu sou o Sam, pessoa não binária trans masculina, que afinal gosta da cor rosa, e que na verdade até tem jeitos bem femininos. Sou o artista falido da familia, o que tem duas licenciaturas em atraso, e está sempre há procura da nova aventura. Sou a pessoa que nos cafés é simpatica com as empregadas, e em quase todos os lugares em que caminho, se vejo alguém mal eu pergunto o que se passa. Sou o amigo desligado, sou o impulsivo.
Este é o começo da minha jornada.
English translation
Mariana told me to write everything I have bottling up inside. She says I'm a good talker, very eloquent and that I express myself well.
Mariana knows me, knows the Sam from two years ago, the Sam that already went through the social transition, the Sam that is tired of fighting against a society who forgot what it means to be human, the Sam that is THE Sam, not Rute.
But Mariana knows more than just that, she wasn't present in the first battles, but she wants to know about them.
She wasn't there when my dad had cancer, but she asks me about him, what is he like; she wasn't there during high school, while I tried to understand why was I so different from other people, why did I think so differently from them, but she listens.
She listens to everything that I think, in fact she wants to know.
She's scared for me, in all the interactions that I am the person who stands forward to all those who try to steal freedom of speach.
She tells me to express myself.
So, I decided to do it. Because she believes in me, and made me believe in myself again.
I talk to eight years old Sam who questioned himself "Who am I?" countless times, to the twelve years old Sam who was harassed for the first time, panicked, and defended himself either way, to the Sam who was always afraid of showing himself, the Sam who always doubted himself. Enough.
Hello, I'm Sam, non-binary trans masculine person, that likes the colour pink after all, that has in fact many feminine ways of behaving.
I'm the broken artist of the family, the one that has two degrees on hold to be finished, the person who is always looking for the next adventure.
I'm the nice person to every waitress I meet in caffes, and that in all the places I walk or pass by if I find someone who is not okay, I ask what is happening.
I am the disconnected friend, the impulsive one.
And this, is the beginning of my journey.

It was an weary night, you see,
When they met.
Two strangers, a wish
And a sleeping threat.
The moon was shy,
And so were the trees
But it was wonder, the unknown,
That caught their eye, colour of the seas
A glimpse of light,
Oh what could it be?
A sudden spike
Of what a good life might be
The doubt disapeared,
It was the reality showing her face
This sparkle, you see,
Was something without time or place.
While they wandered along side
Naive, with hands swinging slowly
That was what mattered
That was a love story
Observa-te como quem vai á beira-mar para ver o Sol se pôr, mira-te como um Deus apaixonado que nunca tenha mirado criatura igual.
É a elegância que não só transportas no corpo, como na alma, essa liberdade inebriante que não te faz pertencer a lado nenhum mas fazer parte de tudo.
Tua voz é viciante como as ondas do mar que embatem na encosta em busca de terra onde desabar, teu corpo é labirinto de rosas espinhadas mas de beleza na sua delicadeza juvenil.
Atitude de quem quer conquistar o mundo de pé descalço e amor no coração, mas que aparece serena, de blazer até ao chão e camisa de inverno de tons outonais.
Agarras a vida como quem já abraçou a morte e lhe disse para esperar um pouco mais.
De compasso musical nas ancas, ouves música como se vivesses nas cordas desse baixo austero e determinado.
Olha para ti e deseja-te como jamais alguém te desejou.
Determinação transparente e de uma paixão turbulenta como folhas que se revoltam ao vento que vem do Sul para te transportar numa viagem interminável.
Sonha pois princesa!
Mas não com castelos, e sim com impossíveis, com magia, com indefinições e aventuras de roupa que se rasga no corpo no meio da floresta por descobrir.
Estátua perfeita de Amor,
Respiro-te perto e estremeço.
E ela dá por mim espreguiça-se
Sinto dentro aquele tremor
Aquele nervosismo, quase desapareço!
Erro comum mais do que
Humano, deixar-se levar demais
Pelo que não se agarra
Pelo que não existe
Por pessoas quadradas
De questões inúteis, para os demais
Apenas inergúmenos
Inúmeros são estes que aparecem.
Deixa-me ser!
Dói-me a alma pelo que
Preciso de parar
De existir a pensar
Que está por vir amor
Mais puro que tenho!
Entre recantos e abraços,
Caminho por meus passos
Em teus encantos
Por desejar-te.
Lisboa, deixa-me ser tua.
Conhecendo-te de fio a pavio,
Da Baixa-Chiado, á beira rio
Eu perco-me a olhar-te
Sentindo-me quase nua.
Lisboa, por ti passeio!
Dos poemas de amor às horas soltas,
Dos espantos e gritos de vozes roucas,
Enquanto me acenas
E cresce em mim este anseio!
Pois Lisboa, se um dia partir
Irei recordar os aromas do Rossio,
As novas modas das senhoras de Brio
Que vejo alegres passar.
Recorda-te quem me fez sorrir.
Em ti ficam, Lisboa,
As minhas histórias de Romeu,
Este meu desejo inabalável pelo teu
Amor a todas as almas.
Dirás que fui em boa hora!
Penso em sonetos que sinto já terem existido numa outra época longínqua.
A minha mente engana-me, faz-me acreditar que a maestria da criação é minha.
As linhas do tempo entre o agora e o que já foi são tão incrivelmente ténues, que se brinca de um lado para o outro sem cuidado onde se poisar.
Penso em sonetos e acredito que sejam meus
Se tens um coração de ferro, bom proveito.
O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia.
Nesta frase desfazem-se mil pensamentos meus. Porque já não escrevo, por doer demais. Escrever implica confrontar-me comigo, num espelho reverso de imagem distorcida.
Mostra-me a fome, mostra-me a vontade que tens de me agarrar no corpo e fazer desaparecer as roupas que me cobrem, me escondem e me envelhecem. Mostra-me os dentes, a fúria que te consome, a energia que te move e essa sede, de beber de tudo o que te rodeia sem te envolveres. Toca-me e deixa-me sentir, esse carinho escondido, essa frieza disfarçada, esses sonhos adormecidos que te acompanham nos ombros sorrindo.
Mostra-me como és anjo caído, fonte de Luz divina que não se apega a meros mortais, mas dás por ti a sentir-te mortal, humana, será possível? Transparece essa recusa de submissão nas palavras que diriges aos menos elucidados, assume-te perante quem te nega e diz-me, não te corre nas veias um sangue de outros tempos e de outros planetas, de outras galáxias?
Mostra-me a inocência que escondes no sorriso, perde-te no encanto, encontra-te num recanto e leva-me, em pleno pranto, nas asas do anjo que te tornaste. Porque desde que te conheço, que sei que tens algo que não consigo atingir e que sempre tive apenas para mim. O poder que contens, tão silencioso, tão poderoso que se apodera de ti lentamente, e quando te aperceberes... será cedo demais.

Fotografias de autoria própria
Quero trabalhar as emoções.
Tocar tambores com o riso das crianças que brincam lá fora na calçada.
Bater os pés ao som do bater de asas esperançoso de uma gaivota.
Trautear uma canção nos lábios de uma rapariga de coração partido, com as lágrimas na face a escoar a tristeza existente.
Soprar com o vento a angústia incerta de quem perdeu alguém e se perdeu depois.
Quero viver as emoções, respirar tristeza, libertar energia com um coração que bate desesperadamente.
Quero viver.
Quero ir, por favor.
Fico aqui agarrada ao que sinto, quando queria ficar no último abraço que me deste.
O que me faz não ter deixado de sentir?
Já não tenho a tua atenção, já não tenho a tua presença, tenho sim pesadelos da tua felicidade sem mim. Quero que sejas feliz, queria que fosse eu a causa. Quero que sejas feliz comigo outra vez, sem expectativas sabes?
Escrevo-te a esbarrar na inutilidade. É-te indiferente. Sou-te indiferente.
Gostava que ela não tivesse aparecido.Antes de mais, quero que saibas que fico feliz por ti
Que chegaste aqui, que conseguiste, não desististe.
Logo tu, que tanto pensaste nisso. Não foi nunca um desistir físico, de te cortares, acabares com o teu respirar , mas sim uma morte de alma. Uma falta de força. De vontade de existir.
Quando pensares desistir, lembra-te de mim. Da energia que ambicionas, dos sonhos que te alimentam.
Tu sabes o que fazer. Acalma a alma, vais chegar lá.
Começa devagar e cala-te. Sei bem que resmungas e me dizes que não é fácil.
Que não é fácil sei eu. Vê onde te encontras e agradece. Agradece porque tens a oportunidade de estar aqui. Aposto que não te apercebeste da sorte que tens ainda...
Pensa. Sei que queres pensar nisso. Permite-te sem tristezas por hoje, pensar nela. Deixa-a ir.
Vive, segue a tua vida e não faças dela um boomerang. Faz dela um avião de papel, um barco de cortiça. Faz dela a merda que quiseres, mas devagar, tu consegues. E arrisca. Arrisca e vive. Pois não conheces a rosa só pela cor.
Quero prestar atenção aos detalhes.
Um dia vou embora, mas volto, não será da mesma forma.
Quero apenas garantir que quando voltar, me lembro para te fazer recordar quem fomos.
Para que vejas o que um dia viste e eu ainda vejo.
Penso em ti, enquanto encontro as fotos que tirámos no meio das minhas coisas.
Trago tudo comigo para ter um pedaço do que senti contigo sempre por perto. Penso em ti, na viagem, no caminho, no teu olhar, no beijo. E sei que sinto. Sinto muito.
Porque sentimentos nunca são em vão, por mais levianos que te possam parecer.
Podes acabar como eu, apaixonada por quem não quer voltar.
O calor que me devolveste, está a queimar lentamente. Queima-me por dentro, e vai ardendo. Nem a tua ausência lhe retira o oxigénio do qual ele se alimenta.
Será o vazio respirável?
28 de Março de 2018
Não percebo, e quando tu digo é porque de facto está imensamente longe do meu entendimento, e isso deixa-me fora de mim.
Saber que ainda tento, mas já devia ter aprendido que não te importa, nem queres saber.
Ainda tenho esperança de um dia conseguir falar contigo sem ficar na eterna duvida do que te vai no pensamento.
Quando falamos, queixas-te de causas menores, quando te falo de dores maiores...
16 de Abril de 2018

Precisa de uma pausa?
A minha cabeça ainda não parou, sabias? Penso em ti, em nós, em mim.
Deixa-me ficar contigo, e por favor volta depressa... Porque essa crueldade de te tirares de mim tem de acabar meu amor! É injusto para mim e para ti, que ficas nesse estado de ansia sem mim por perto...
A tua presença, o teu espirito, o teu sorriso, riso e amor tornam o mundo tão fácil de se viver... tão belo! E jamais esqueças que o teu corpo também sente a minha falta.... porque vou mandar foder todos aqueles que me digam que amor em que se dê tanto valor ao sexo não é tão puro quanto os restantes.
Pois bem, vão-se fuder meus caros.
Porque porra, sinto falta de fazer amor contigo. Sinto falta de te sentir nas minhas mãos, de te sentir colada a mim, de sentir-te reagir ao meu toque, a minha voz, da tua respiração cortada e do teu gemido intenso. Falta de tudo, do teu rabo, dos teus dedos, dos teus lábios.
E se isso não basta para que queiras voltar mais cedo...Sinto falta de seres boa. Tu sabes em quê. Amo-te... e até já princesa...
https://www.youtube.com/watch?v=BRogfZvEfJQ
Não sou Deus.
Já escrevia Chagas Freitas.
Porque se fosse, eu estaria feita comigo mesma.
Não existe uma única fibra do meu corpo que não peque por nada desejar, ou por não desejar em demasia.
O erro às vezes, é enganar-se o coração e dizer-lhe "Calma, não ames tão desenfreadamente".
Merda para isso, porque te vou amar desenfreadamente. Só assim faz sentido amar.
Quero-te. Só para mim, e ponto final. Sou possessiva sim, pelo que amo e não quero deixar fugir.
Ignorância é pôr paninhos quentes, é dizer que passa, é dizer que não faz mal.
Existe respeito, não me interpretes mal.
Aliás é pela existência dele que te digo que te amo, com todo o respeito que te tenho e me tenho, fodasse.
É dessa chama, desse Desire, dessa vida que falo.
Porque se eu fosse Deus, estaria a cometer um crime por não te ter nos braços.
E se fosse Deus, eu seria tua superior.
Meu amor, fico-me por ser teu mundo e tu o meu...
Numa co-depência, dependência, nesta possessão.
Porque Deus não ama, só observa o amor.
